04 agosto, 2006

Revelação


" Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.(...) Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingivel que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenheiria sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida."

"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda em mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num desvaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se do ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémuloas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de seda esbatidas, onde um luarde ideia bruxuleia, malhado e confuso"

Sabes quem eu sou?Eu não sei.
Outrora, onde o nada foi,
fui o vassalo e o rei.
È dupla a dor que me dói.
Duas dores eu passei.


Fui tudo o que pode haver.
Ninguém me quis esmolar;
e entre o pensar e o ser
senti a vida a passar
como um rio a correr.



* Fernado Pessoa*

e a minha foto lol

03 julho, 2006

















O que dizer quando a beleza não tem palavras nem adjectivos suficientes?
O que fazer quando a beleza da natureza não se deixa possuir ou agarrar?
O que pensar quando nãp se consegue agarrar tudo o que está ao nosso alcance?
Como reagir a explosões de sentimentos que se soltam por pedaços do universo que nem nós conhecemos?

16 junho, 2006

Eternamente

Loucamente alucinada. Perdidamente apegada. Perco-me nas loucuras que não me largam, nas vontades, nos pecados. O proibido tende em me tentar. Solto-me, voo cegamente e vou apalpando o caminho na tentativa de te encontrar.
As alucinações que vão, alucinações que ficam...escondo-me por entre fantasias que numa altura ou outra tentam me alegrar. Os sons repetem-se e de alguma forma são espaçados, têm vagas e aberturas entre si. E em pedaços têm bocados de ti. Na escuridão, quando a noite é mais silenciosa, a música toa de forma a ser mais minha, mais sonora, mais beça e poética. Pouso em algo que gosto de chamar lua. A minha música continua, também é tua. Danço com a imagem que tenho de ti. O tempo nao se mexe, mas repete-se, e gira e dança... A música voa, mergulha, sonha, eleva-se e faz essas coisas todas maravilhosas imaginárias. Sinto o vento a me tentar levar nestas ilusões, porque sabe que preciso.

De repente, por entre utopia, apareces. Algo me diz que vamos começar uma viagem por entre as nossas próprias estações pessoais. Puxas-me para ti, e no meio da noite a nossa primavera começa: os corpos enchem-se de necessidades de beijos e abraços, como se finalmente estivessemos apaixonados. Carícias e carinhos abundam. Depois, chega o verão. Os calores e o aquecimento corporal, as altas temperaturas e a vontade de refrescar tirando algumas roupas. E o desejo de nos juntarmos numa chama de paixão. O outono aparece de leve, quando os corpos já estão exaustos. Os corpos suam , simbolizando a chuva precoce. Finalmente tremo com a chegada do teu inferno, e acaba tudo por aqui. Levantaste e mais uma vez abandonas-me, sozinha na nossa lua.
Enlouqueço, alucino, tento me despegar. Fraca, caí na tentação. A música cessa. Após a tua repetitiva partida, nem ficaram particulas tuas por aqui. O tempo recomeça o seu funcionamento normal. O relógio começa a badalar, as horas retomam o seu sentido. O vento levou-me na ilusão que desta vez ficavas. Acabou-se....


21 maio, 2006

Finalmente o verao esta quase a chegar....
O sol, o descanso, a paz... é disso que mais sinto falta! daquela maneira obscura de ter paz....
O verao para muitas pessoas incluindo para mim...significa algo novo a começar.
Que novela acontecera este verao?

14 maio, 2006

Don´t you hate it?



Over and over again. Disappointed by this weird thing you like to call friendship. You live hopping your friends will last forever but they don't. Get real!

Sometimes you get to close in your friendship and some chemistry is born and then,sorry but you have to know, the friendship is doomed to end. People can't handle being too close without breaking somehow.
And don't you hate it?

Sometimes you dream thet people will be exactly as you're hopping they would be. And then, gosh, when you least expected, they betray you. They stabbe you in the back. They do these things thinking it's right, without even caring if they're hurting you. Why would they care? You´re not perfect enough. You're not worth it!
And don't you hate it?


Sometimes you expect people to be there for you, when you need to cry, to laugh, to dream awake and/or to talk to. And then, they suddenly rebember that they have something a lot more important to do like brush their hair, and stare and themselves in the mirror. And they bank on you just at the last minute.
And don't you hate it?

In the end it all comes down to pure self-centredness. It all comes down to people looking at themselves, for themselves, by themselves. Because people are all about that. loving themselves. Why should they care or give a damn about other people, why should they do it? and wow... how can't you just fucking hate it?

14 abril, 2006


Tentação!Pecado! ama-se o intocável e essas são as regras pelo qual nós seguimos a vida! O toque torna-se inevitável quando a fome não se satisfaz com o olhar. A tentação ilude a alma, faz acreditar na poesia os movimentos, dos cheiros e da loucura! O pecado.... o pecado é bom demais!

27 março, 2006

Ciclo vicioso...


Perdida nos meus pensamentos,sorrio. É tão bom recomeçar! Abro as janelas da minha vida e lá fora vejo o sol brilhar e os seus raios que iluminam tudo! Respiro o ar puro. Reparo que os meus olhos cintilam de forma diferente,neste ciclo vicioso, está na altura de ser livre mais uma vez! Com esta liberdade, recentemente adquirida, a que ainda não estou habituada, faz-me sentir um pouco estranha, resolvo ir passear pela minha mente alucinada, tentando ver novos jardins. Descubro flores em mim, de espécies que nunca suspeitara haver! Sinto-me primavera, a brotar e a florescer! Sinto coisas novas e gosto de o saber! Os cheiros e as cores divinais explodem em mim...renasço vezes sem conta... deliro nestes sentidos que me envolvem e de alguma forma me fazem especial. Saltito toda contente e grito aso céus até que estes ensurdeçam com a minha euforia: - Livre! Livre... Finalmente... Lá se vão os apertos, a falta de ar, de raciocínio, de clareza... as noites revoltadas, a angustia mais que sufocante, aquele doer que por mais que passe continua a nos corromper. Voo, sim voo! Danço com ritmos enlouquecidos pela luz do sol, canto poesia que me enche a alma e cuida do coração. E não há nada que eu diga que não possa sentir. Não há tesouro maior que esta liberdade, tão mal usada. Sinto-me tão bem.. Repito-me! É o ciclo vicioso....

13 março, 2006

Segredos


Cólera que infama ,
Saudade profana !
admira a persistência,

vive a escassa adolescência.
Estraveia-te em problemas
enfrenta o dia, mesmo que o temas.

Sonega emoçoes,
atribui nomes, milhões ...
Tinge flores com exuberantes cores.
Reage ao sublime,
contempla um poema ,
mesmo que nao rime.
Chora e desata a rir,
esconde-te e prepara-te para fugir.
Fica em casa, vagueia.

Apaixona-te e odeia.
Fica em pé ou deitado na cama.
Teme! Pergunta se te ama...
Interroga-te sobre a vida,
questiona-te se vale a pena ser vivida
2003

escondido na penumbra do passado! fui busca-lo p falta de inspiração!