08 novembro, 2007

Por falta da maldita inspiração que me transforma noutra pessoa e me faz escrever vou postando aqui poemas ou letras ou textos de outros até que um dia, espero eu, a inspiraçao volte.Espero que gostem. ;)

In Memoriam



"Requiem aeternam dona eis,
Domine, et lux perpetua
luceat eis.


"Que a terra lhe seja pesada.
Que lhe apodreça o corpo e os olhos fiquem vivos,
Se lhe soltem os dentes e a fome fique intacta
E a alma, se a tiver, que lha fustigue o vento
E arrase com ela a memória gravada
Na lembrança demente dos que o choram.


Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Cheio de ossos e uivos
E garfos aguçados
E que reparta o medo com o primeiro intruso
E o vento se insinue pelas portas fechadas
E rasteje no quarto
E suba pela cama
E lhe entre no olhar como estiletes de aço,
Lhe penetre os ouvidos como agulhas de som,
Lhe emaranhe os cabelos como um nó de soluços,
Lhe desfigure o rosto como um ácido em chama.

Que a mulher que foi dele oiça o vento na noite,
Que a mulher que foi dele oiça o vento na cama!


Que o nome que era o seu o persigam os ecos,
O gritem no deserto as gargantas com sede,
O murmurem no escuro os mendigos com frio,
O clamem na cidade as crianças com fome,
O soluce o amante de súbito impotente,
O maldigam no exílio as almas sem descanso.


Que o nome que era o seu seja a bandeira negra,
A pálpebra doente,
O vómito de sangue.


Que o gesto que era o seu o imitem as mães
Que se torcem de dor quando abortam nas trevas,
O desenhem a lume os braços amputados,
O perpetue o esgar dos jovens mutilados,
O dance o condenado que morre na fogueira.
Que o gesto que era o seu seja o punhal do louco,
A arma do ladrão,
A marca do vencido.


Que o sangue que era o seu o farejem os cães
Nas veias de seus filhos.
Que o sangue que era o seu se lhes veja nas mãos,
E lhes aperte os pulsos como algemas de lodo,
Lhes carregue o olhar como um sopro de infâmia,
Lhe assinale a testa como um escarro de fogo,
Lhes atormente os passos como um peso de lama.


Que o sangue que era o seu seja o rictus da tara,
A máscara de sal,
A vingança do pobre.
E que o Exterminador, no seu trono de enxofre,
o faça tilintar os guizos da tortura
Até que o mundo o esqueça
E mais ninguém o chore.

Ary dos Santos
Poema incluído nos livros A Liturgia do Sangue (1963), Vinte Anos de Poesia (1983) e Obra Poética (1994).
JACM.net

23 novembro, 2006

Anónimo


Aguarda a chegada das estrelas, pacientemente. Não fala mais do que é preciso. Observa com cuidado as cores amenas e doces do pôr-do-sol. Um raio de sol acaricia-lh a face. Obrigado. E só ele sabe porquê. A lua aparece por entre as mudanças das cores. A lua deslumbra. Fascina. Os olhos dele brilham pela fascinação. Ha alguém ao seu lado. Ele lembra-se disso e vai lá aconchegá-la com os seus mimos. Aquecê-la com o seu toque, pois agora, a noite traz o frio. Ela vagueia nas ruas do seu pensamento. Aprecia aquele calor. Para ela é algo de novo, confuso, confortável, constrangedor. Nunca ninguém lhe ensinara a misturar sentimentos a misturar sentimentos.
Há um sentimento que os rodeia. Mas não se pode dizer, não se pode tocar. Chiu!! É privado. Mas eles não estão sozinhos. As ondas do mar batem com a força da vontade deles. O vento sobra coma doçura do bater dos seus corações. As estrelas cintilam ao desejo deles. Eles dormem. Não precisam da vida para sentir, não precisam da luz para brilhar, não precisam de nada para estar juntos.
Os sonhos deles dançam. Rodopiam sobre si mesmos. É uma complicação com pretos e brancos. É abstracto. É deles. E não há ninguém que lhes possa tirar o preto e o branco. Os braçoes e os beijos. A gravata e o vestido da dança deles. Só deles!
Mergulham no escuro do imaginário, no profundo do nada que os consome, que os tem, que lhes dá tudo o que eles têm. Não que eles precisem ou queiram. Eles sabem aceitar as ofertas e ficar contentes em não pedir mais. Sabem gritar quando a garganta pede, sabem gemer quando a mente e corpo pedem. Sabem a dança deles. Sabem parar. Sabem mentir, sabem a dança deles. Sabem parar. Sabem mentir, sabem enganar, sabem confiar, sabem provocar. Envolvem-se nos seus próprios saberes. Tocam música, tocam aquele instrumento fascinante... a alma.
Só no fim se juntam. Se abraçam, se amam. Não! Não é assim! É mais fundo.
Só no fim se juntam. Se devoram, se consomem. Não! Não é assim. É mais doce.
Só no fim se juntam. Se absorvem, se abrangem, se estimam, tanto ele como ela. Não! Não é assim. É deles. É privado. É romântico. Tem estrelas, tem céu, tem mar, tem areia, tem luzes, tem escuro, tem pessoas, tem vazio, tem respirações, tem batimentos, tem pulsares, têm um e o outro. Não tem mais ninguém. Não há mais ninguém. Nem precisa haver.
Ele abre os olhos. Tem-na! Conhece-a como nunca conhecera antes, aprecia o seu corpo exausto. A alma fatiga-lhe o corpo. Ela é frágil, mas ali... é dona de algo sem o ser, é mãe sem filho, é vida sendo só uma mísera pessoa. Ele é adulto. Ali não passa de uma criança, que está ali só para de deixar levar. Está ali para ela e com ela. Está ali até as cores do sol nascerem.
Ela desperta do seu sono. É feliz. Está calma. Aconchegada. Vê que ele a admira com a beleza dos seus olhos verdes. Ela aproveita e observa-o também. Não há sentimento que descreva a imensidade daquele carinho que ela sente por ele. Do algo que ela tem. É absurdo. Ela sabe disso. Que mais haveria ela de saber? O resto não interessa. Porque haveria de interessar? Ali no meio da noite, da praia, dos sentimentos ela questiona-se o que faria sem aquele calor. Ela sobreviveria! Então esses pensamentos afastam-se dela com o beijo doce que ele lhe dá.
Eles abraçam-se retiros de angústia, de fantasia, de loucura. Juntos, estão a fazer o que está correcto. Veêm o mundo por outros olhso. Algures no meio daquele turbilhão de relações existe uma vazio. Os cheiros e os sabores misturam-se. É doce, é amargo. Não interessa. É bom. Delicioso e muito mais. O mundo exterior não tem qualquer contactp cpm eles, pois eles não deixam. Os sentidos são diferentes, forçados e de livre vontade. O seu próprio mundo parece mais engraçado. Aos zigues zagues e às voltas. O passado não dura muito naquele presente de fantasia......

21 outubro, 2006

PoPular

Three important rules for breaking up
don´t put off breaking up when you know you want to
Prolonging the situation only makes it worse
tell him honestly, simply, kindly and firmly
Don´t make a big prodution
don´t make up an elaborate story
This will help you avoid a big tear jerking scene
If you wanna date other people say so
be prepared for the boy to feel hurt and rejected
even if you've gone together for only a short time,
and haven´t been too serious
there's still a felling of rejection
When someone says she preferres the company of others
to your exclusive company,
But if you're honest and direct,
And avoid making a flowery emotional speech when you brake the news,
The boy will respect you for your frankness,
and honestly he'll appreciate the kind of straight foward manner
In wich you told him your decision
Unless he's a real jerk or a cry baby you will remain friends
(...)
Nada Surf
Podem ouvir esta musica em : http://www.youtube.com/watch?v=BsPkTUuKguE

03 setembro, 2006

Secret


Watch the sunrise
Say your goodbyes
Off we go
Some conversation
No contemplation
Hit the road

Car overheats
jump out of my seat
On the side of the highway baby
Our road is long
Your hold is strong
Please don't ever let go oh no

I know I don't know you But I want you so bad Everyone has a secret But can they keep it Oh no they can't

I'm driving fast now
Don´t think i know how to go slow
Where you at now
I feel around
There you are

Cool these engines
Calm These jets
I ask you how hot can it get
And as you wipe off beads of sweat
slowly you say "I'm not there yet!"

*Marron 5*

Façam as vossas interpretações e digam-me!
E podem ouvir esta música em : http://www.youtube.com/watch?v=FJPB1a2v4NU

04 agosto, 2006

Revelação


" Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas.(...) Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingivel que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenheiria sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida."

"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda em mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num desvaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se do ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trémuloas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de seda esbatidas, onde um luarde ideia bruxuleia, malhado e confuso"

Sabes quem eu sou?Eu não sei.
Outrora, onde o nada foi,
fui o vassalo e o rei.
È dupla a dor que me dói.
Duas dores eu passei.


Fui tudo o que pode haver.
Ninguém me quis esmolar;
e entre o pensar e o ser
senti a vida a passar
como um rio a correr.



* Fernado Pessoa*

e a minha foto lol

03 julho, 2006

















O que dizer quando a beleza não tem palavras nem adjectivos suficientes?
O que fazer quando a beleza da natureza não se deixa possuir ou agarrar?
O que pensar quando nãp se consegue agarrar tudo o que está ao nosso alcance?
Como reagir a explosões de sentimentos que se soltam por pedaços do universo que nem nós conhecemos?

16 junho, 2006

Eternamente

Loucamente alucinada. Perdidamente apegada. Perco-me nas loucuras que não me largam, nas vontades, nos pecados. O proibido tende em me tentar. Solto-me, voo cegamente e vou apalpando o caminho na tentativa de te encontrar.
As alucinações que vão, alucinações que ficam...escondo-me por entre fantasias que numa altura ou outra tentam me alegrar. Os sons repetem-se e de alguma forma são espaçados, têm vagas e aberturas entre si. E em pedaços têm bocados de ti. Na escuridão, quando a noite é mais silenciosa, a música toa de forma a ser mais minha, mais sonora, mais beça e poética. Pouso em algo que gosto de chamar lua. A minha música continua, também é tua. Danço com a imagem que tenho de ti. O tempo nao se mexe, mas repete-se, e gira e dança... A música voa, mergulha, sonha, eleva-se e faz essas coisas todas maravilhosas imaginárias. Sinto o vento a me tentar levar nestas ilusões, porque sabe que preciso.

De repente, por entre utopia, apareces. Algo me diz que vamos começar uma viagem por entre as nossas próprias estações pessoais. Puxas-me para ti, e no meio da noite a nossa primavera começa: os corpos enchem-se de necessidades de beijos e abraços, como se finalmente estivessemos apaixonados. Carícias e carinhos abundam. Depois, chega o verão. Os calores e o aquecimento corporal, as altas temperaturas e a vontade de refrescar tirando algumas roupas. E o desejo de nos juntarmos numa chama de paixão. O outono aparece de leve, quando os corpos já estão exaustos. Os corpos suam , simbolizando a chuva precoce. Finalmente tremo com a chegada do teu inferno, e acaba tudo por aqui. Levantaste e mais uma vez abandonas-me, sozinha na nossa lua.
Enlouqueço, alucino, tento me despegar. Fraca, caí na tentação. A música cessa. Após a tua repetitiva partida, nem ficaram particulas tuas por aqui. O tempo recomeça o seu funcionamento normal. O relógio começa a badalar, as horas retomam o seu sentido. O vento levou-me na ilusão que desta vez ficavas. Acabou-se....